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Eram os anos 60 e a política mundial fervilhava com o auge da chamada "guerra fria" entre países dos blocos capitalista e comunista, que entre si, travavam batalhas constantes no campo ideológico.
A 13 de março de 1961, o então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, anuncia a criação do projeto "ALIANÇA PARA O PROGRESSO", que tinha a finalidade de financiar projetos sociais em países da América Latina com o intuito de evitar o "avanço do comunismo", que já era uma realidade em Cuba, já governada por Fidel Castro e com o apoio total da União Soviética (hoje Rússia).
O Brasil então, fechou acordo com os EUA e passou a integrar a lista dos países participantes do projeto. O governador do então Estado da Guanabara (hoje Rio de Janeiro), Carlos Lacerda, resolveu aplicar o dinheiro repassado pelo governo federal na construção de bairros proletários que receberiam pessoas vindas de remoções de comunidades faveladas e assim foram construídos vários bairros e entre eles a Vila Kennedy.
O governador resolveu usar uma área localizada na Zona Oeste da cidade próxima ao distrito industrial de Bangu e à Zona Rural de Campo Grande. A idéia, era remover as famílias da favela do MORRO DO PASMADO, em Botafogo, da favela de RAMOS e da favela do ESQUELETO, sendo a maioria oriunda das favelas do Pasmado e do Esqueleto.
As remoções se justificavam em função de que o Morro do Pasmado fazia parte de um conjunto paisagístico da cidade (proximidades do Pão-de-Açucar) e a favela não era bem vista pelo estado neste aspecto e no caso do Esqueleto, a justificativa era ainda maior, uma vez que a favela, na verdade, era uma ocupação da construção inacabada do Campus da então Universidade do Estado da Guanabara-UEG (hoje UERJ), localizado no Maracanã.
Até que em 20 de janeiro de 1964, o governo inaugura a VILA KENNEDY. O bairro recebeu o nome em homenagem ao presidente assassinado em Dallas, nos EUA e que fora o criador do projeto que dera origem à comunidade.
No princípio, alguns moradores resistiram à remoção por motivos até certo ponto, muito justos tais como o novo bairro ser localizado em um local extremamente afastado do centro, onde a maioria possuía seus empregos e ser também um local ainda a ser "desbravado". Mas como sempre, o Estado usou de sua força constituída para remover aqueles moradores, tanto os que iam por opção, quanto aos que iam a contragosto.
A desorganização do Estado no momento de entregar as casas foi tamanha, que não houve preocupação por parte do governo em humanizar o processo, fazendo que parentes e vizinhos próximos, na estrutura favelada, passassem a morar a distâncias absurdas dos seus, fora que pelo motivo das casas serem padronizadas e as chaves e fechaduras serem idênticas, ou seja, uma chave servia para todas as fechaduras, muita gente errava seus endereços e as vezes entrava em uma casa e somente assim, constatava que havia cometido a gafe.
A Vila Kennedy contava com construções padronizadas no imobiliário comunitário. Do lado direito de quem vai no sentido Campo Grande-Centro, destacavam-se a padaria "do Bonifácio" (hoje "do Tião"), o galpão que depois tornaria-se o supermercado "Carneiro", as duas escolas públicas (Joana Angélica e Marechal Alcides Etchegoyen), o conjunto que conhecemos como "debaixo do Leão", que tinha três construções : a primeira, o CINE PRESIDENTE KENNEDY (hoje Teatro Mario Lago), o Supermercado LEÃO, que deu origem ao nome do local (e hoje foi demolido) e o Posto Policial, que depois mudou-se para o atual endereço, na Praça Dolomitas, que depois passou a ser a torrefação de café ÉVORA (hoje demolido) e a Igreja de Cristo Operário (hoje na Rua Jayme Redondo s/nº), que funcionava num galpão, hoje incorporado ao imobiliário da Escola Marechal Alcides Etchegoyen, além do ESTÁDIO EVERARDO LOPES, conhecido como "Campo do Vila", além da famosa ESTÁTUA DA LIBERDADE, que é uma réplica da existente em Nova York, sendo em tamanho natural e reconhecidamente catalogada como a única réplica neste tamanho na América do Sul. Essa estátua fica não por acaso na Praça MIAMI, como se fosse uma lembrança aos moradores que a construção de nosso bairro foi feito com dinheiro americano.No lado esquerdo de quem vai para o centro da cidade, destacavam-se as construções comerciais e as escolas Presidente Café Filho e Orestes Barboza.
A recém-criada Vila Kennedy, não tinha ainda um sistema de transportes eficiênte e tínhamos que conviver com apenas duas linhas de ônibus: 394 Vila Kennedy / Largo de São Francisco e 811-Vila Kennedy/Bangu, que eram da extinta CTC e o, que pertencia à Oriental / Ocidental. Além disso, a iluminação pública era inexistente, as ruas eram de barro e o Rio das Sardinhas era todo coberto de mato nas margens além de pontes medonhas de se atravessar.
Tempos depois, já em 1982, o então governador Chagas Freitas, no intuito de ajudar eleitoralmente seu apadrinhado Miro Teixeira, que era candidato ao governo do estado pelo PMDB, iluminou todas as ruas do bairro, construiu o Conjunto Sargento Miguel Filho (Malvinas), o Conjunto do Quafá e reformou várias praças, além de urbanizar a Praça LEIRIA ao lado dos colégios Café Filho e Orestes Barboza, fazendo ali os campos que conhecemos como "Barrão".
Tempos depois, foram aparecendo e crescendo as comunidades periféricas como as favelas do Sapo e Vila Metral, comunidade Pica-pau, Vila Progresso, Alto Congo e Alto Kennedy, além do Jardim do Édem e da Comunidade Sociólogo Betinho (próximo ao 14º BMP).
Com o tempo, as coisas foram melhorando, o comércio foi crescendo e a população igualmente e hoje, a Vila Kennedy tem uma população muito superior a muitas cidades do Brasil e possui uma atividade econômica que movimenta grande volume de dinheiro e um número de eleitores superior a quarenta mil entre votantes em Vila Kennedy e fora dela. Além disso, a Vila conta hoje com três supermercados de pequeno / médio porte (Braga(Multimarketing), Lusitanos e Jubileu), farmácias, um mini-shopping e uma centena de serviços comerciais, dois quartéis da Polícia Militar (8ª CIPM e 14º BPM), um posto de saúde (Henrique Monat) e dois centros comunitários (Irmãos Kennedy e Fundação Leão XII), mas precisamos de mais atenção dos poderes públicos.
Nós, o povo de Vila Kennedy tem uma capacidade enorme de superar obstáculos e vencer desafios, por isso, mesmo com todas as dificuldades, a grande maioria dos moradores oriundos de Ramos, Esqueleto e Pasmado, ou não, logo se apaixonam pela Vila e dificilmente deixam-na ou desaconselham seus filhos que se casam a morar em outro lugar.
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